TI e TA – A importância da convergência entre as áreas para apoiar a digitalização na fábrica

14 de abril de 2023

O QUE É LEAN MANUFACTURING?

Lean Manufacturing – ou manufatura enxuta – é uma filosofia de gestão que visa à identificação, redução e, posteriormente, a eliminação de desperdícios, promovendo uma melhora da qualidade e a diminuição de tempo e custos de produção. Essa metodologia se desenvolveu com o objetivo de reduzir – ao máximo – os desperdícios que podem surgir, como a superprodução, o tempo de espera, o transporte, a movimentação desnecessária, os estoques em excesso, o processamento inadequado, a correção de defeitos ou retrabalho, entre outros fatores que acabam impedindo a fluidez da produção.

Esse conceito está diretamente relacionado às práticas da Indústria 4.0 – uma vez que ambos buscam melhorias contínuas do processo de produção. Como uma das propostas do Lean Manufacturing é fazer mais com menos, a integração dos processos tecnológicos está contribuindo crescentemente com esse propósito.

OS PAPÉIS DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) E DA TECNOLOGIA DA AUTOMAÇÃO (TA)

Tecnologia da Informação é o conjunto de todas as atividades e soluções providas por recursos de computação, para a gestão da unidade empresarial, composto por hardwares e softwares. Tecnologia da Automação, por sua vez, representa o conjunto de ferramentas – hardwares e softwares – responsáveis pela medição, controle, automação, segurança da planta e da máquina na unidade produtiva.

Em meio ao processo de tornar o chão de fábrica mais ágil, a área de Tecnologia da Automação busca implementar sistemas que tragam mais integração aos processos – principalmente para substituir a relação do homem com a máquina. Já sob a responsabilidade da Tecnologia da Informação está a procura por soluções envolvendo softwares, hardwares, banco de dados e redes, para gerenciar as informações recebidas. Ou seja, enquanto a TA ajusta o processo, a TI mantém a confidencialidade das informações.

A falta de convergência nessa atuação conjunta nos processos de rede e nas máquinas de indústria pode causar alguns problemas, pois nem sempre as equipes de TI estão preparadas para manusear dados com unidades de tempo tão velozes – tradicionais na automação.

Outra questão que deve ser abordada é que a Tecnologia da Automação costuma atuar para que a interação entre o homem e a máquina deixe de ser necessária – devido ao processo autônomo. Entretanto, na fábrica, muitas vezes os softwares que a Tecnologia da Informação gerencia ainda não estão adaptados para esse conceito. Dessa forma, as soluções devem ser planejadas com base no desafio do gerenciamento de dados em um volume muito maior que o habitual.

CONVERGÊNCIA ENTRE ÁREAS

A união das equipes é fundamental nesse processo, pois é muito importante que cada um dos lados compreenda a dor e os desafios do outro – para que então busquem respostas mais assertivas e direcionadas, impedindo que invasores obstruam o processo ou captem dados confidenciais da produção e da operação.

O resultado dessa convergência é um ambiente ágil, onde as pessoas e as máquinas trocam informações e dados entre si, de forma segura, consistente e com objetivos claramente traçados – encontrando soluções que ajudem na:

  • Redução dos erros e retrabalhos (possibilitar a padronização de produtos e, consequentemente, o aumento da qualidade);
  • Economia de recursos (produzir com a mesma qualidade com uso mais racional dos recursos produtivos);
  • Melhora na tomada de decisão;
  • Menor necessidade de manutenção e paradas;
  • Tomada de decisão com base em dados reais do processo;
  • Aumento considerável da produtividade.

Além disso, o controle das informações que estão sendo geradas e controladas na rede permite uma visão inteligente de tudo o que está acontecendo na fábrica, de forma remota e por meio de qualquer dispositivo, como computadores, celulares ou tablets.

NA PRÁTICA: CASE BALLUFF

Há 3 anos, nós da Balluff percebemos que poderíamos acelerar o processo de digitalização dentro da fábrica, se as áreas de TI e TA estivessem mais conectadas – garantindo uma série de vantagens.

TA

Ao identificarmos a necessidade de digitalização dos processos, em um primeiro momento, tratamos como mais um projeto de melhoria como todos os outros desenvolvidos pela Engenharia Industrial. Buscamos um parceiro externo para o desenvolvimento do projeto, que juntamente com nossos engenheiros desenvolveram um programa com base em um escopo preestabelecido – no qual constavam os requisitos e as características da nossa rede.

TI

Devido ao não alinhamento com nossa equipe de TI, alguns pontos básicos foram deixados de lado, o que causou estresse e até mesmo problemas na implementação.

ANTES DE INTEGRAR AS ÁREAS QUAIS ERAM AS DORES DE TI E DE TA?

A definição clara das responsabilidades e autonomia de cada uma das áreas dentro do sistema – principalmente após a implementação. Além disso, garantir a manutenção dos sistemas, pois diante de problemas ou bugs deve-se definir um responsável, uma vez que a digitalização traz novas competências técnicas para cada uma das áreas. Sem o alinhamento com a equipe de TI durante o projeto, bem como a falta de documentação, o suporte e as aplicações se tornaram um desafio.

Era necessário investir muito tempo depurando as aplicações e buscando compreender o fluxo, para só então identificar o problema e a possível solução. Um outro impasse se tornou recorrente: o parceiro contratado para o desenvolvimento apontava que os motivos de falha estavam sempre relacionados aos hardwares fornecidos pela TI, enquanto a própria equipe de Tecnologia da Informação indicava que o problema era causado pelas aplicações.

COMO NÓS MONTAMOS UMA INFRAESTRUTURA DE CONVERGÊNCIA DE TI E TA?

Mantivemos as estruturas separadas, entretanto adotamos a participação da Tecnologia da Informação já no início do desenvolvimento de cada novo projeto – o que, ao nosso ver, promoveu uma intensa troca de experiências entre as áreas, convergindo o olhar para a solução dos problemas.

Dessa forma, a TI passa a ter conhecimento e indicar a melhor maneira para o desenvolvimento de cada nova aplicação, e se preocupa em como conceder os acessos e as rotas, bem como a melhor segurança possível para garantir a integridade de nossa rede e nossos servidores.

QUAIS FORAM AS DIFICULDADES NO PROCESSO?

Primeiramente, a equalização das visões de TI e TA em relação às necessidades dos processos.

Enquanto a área de Tecnologia da Informação não conhece os processos de produção, a Tecnologia da Automação não conhece a complexidade envolvida no desenvolvimento de aplicações em rede e não tem ciência sobre a proteção e segurança da informação necessárias.

Por outro lado, os setores se complementam. TA possui ótimas ideias de como tornar a metodologia mais produtiva e ágil, com menos erros e falhas. Já a TI sabe como compilar essas ideias e desenhar os sistemas e a base de dados.

Outro desafio foi o mapeamento detalhado das etapas, considerando todas as variáveis possíveis. Por vezes, o desenvolvimento era realizado, mas na implementação descobríamos uma ou outra variável não considerada em tempo de projeto. Porém, devido à proximidade e boa comunicação entre as esferas, os impactos foram superados com facilidade.

RESULTADOS

O processo foi flexibilizado, pois ambas as áreas conseguem oferecer seu conhecimento e saber se as metodologias estão se adaptando ao sistema da Balluff.

É um processo contínuo, que ainda não foi concluído, mas que já garantiu aumento da produtividade, redução de erros e diminuição nas paradas para manutenção.

Confira alguns feedbacks da nossa área de produção: Na Balluff, por conseguir apurar a performance em tempo real na linha de produção, os próprios operadores conseguem monitorar o desempenho e verificar se os resultados estão atendendo aos parâmetros previamente definidos. Dessa maneira, é possível atuar de forma corretiva em eventuais desvios, gerando um sentimento de pertencimento nos colaboradores.

O tempo de resposta também foi otimizado, já que é possível monitorar – em tempo real – qualquer nível do processo.

DEPOIMENTOS DAS ÁREAS ENVOLVIDAS

Para saber mais detalhes sobre todo o processo de digitalização da Balluff, assista ao webinar disponível em: http://lp.balluffbrasil.com.br/balluff-3-webinar

“Considero que a integração entre as áreas para os projetos de automação industrial possibilitou a equipe de TI mapear e garantir a segurança de rede adequada, e melhorou o envolvimento desse mesmo grupo nos projetos – desde o princípio –, permitindo a apuração das melhores alternativas.

Além disso, essa convergência trouxe para a equipe de TI uma visão clara dos processos de produção e uma transparência sobre os sistemas implementados na fábrica.

Dessa maneira, conhecer a estrutura da empresa e estar próximo ao time de Tecnologia da Informação otimizou nosso tempo de desenvolvimento – uma vez que as dúvidas que surgiam eram rapidamente sanadas. Por fim, a manutenção dos sistemas pós-implementação também passou por um aperfeiçoamento. Todo o suporte prestado pela área de TI foi facilitado – visto que já estamos familiarizados com os processos e as aplicações.”

Paulo Lemes – Gerente de TI Balluff Brasil

DEPOIMENTOS DAS ÁREAS ENVOLVIDAS

“A integração entre as áreas de TA e TI não é uma tarefa fácil, uma vez que, para o sucesso do projeto, se faz necessária uma visão de processos bem desenvolvida, clareza dos objetivos do projeto (o que é o entregável) e habilidades para juntar culturas com diferentes óticas, a fim de que a escolha das ferramentas, tecnologias, arquitetura de rede, software e hardware sejam aderentes às necessidades do projeto. Acredito que esse seja o grande desafio da maioria das empresas frente aos processos de digitalização.

Depois de uma primeira experiência com vários desencontros de expectativas e alguns retrabalhos, aprendemos que TI e TA devem estar juntos desde a primeira reunião de kick-off do projeto e que a digitalização dos processos deve acontecer de forma modular, dividida por fases, assim os resultados também podem ser percebidos de maneira acumulativa à medida que os novos processos são incorporados.

Outro ponto positivo é quando pensamos em questões de manutenibilidade e melhoria contínua que tornam-se muito mais ágeis, uma vez que o processo já é conhecido por todos, proporcionando economia de tempo e agilidade.

A interação entre TI e TA proporcionou ganhos reais de produtividade e competitividade para a nossa empresa, tornando nossos processos mais fortes e robustos, assegurando diferenciais competitivos de curto, médio e longo prazo.”

Clemente Alonso – Gerente de Operações Balluff Brasil

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